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Inadimplência no agronegócio em 2025: o desafio do Banco do Brasil
Um Cenário Preocupante para o Campo Brasileiro
Por Toninho Gaúcho
Publicado em 28/11/2025 09:46
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O agronegócio, setor vital para a economia brasileira, encontra-se diante de um desafio significativo em 2025. O Banco do Brasil, um dos principais financiadores do campo, registrou um aumento recorde na inadimplência dos produtores rurais. Essa situação pode acarretar a redução do crédito e a elevação das taxas de juros, impactando diretamente a vida de milhares de agricultores e pecuaristas.

Este artigo busca analisar um dos fatores que podem ter contribuído para essa crescente inadimplência, questionando a ideia de que a responsabilidade recai exclusivamente sobre os ombros dos produtores rurais de todo o Brasil.

A Força do Agronegócio e a Contribuição do Banco do Brasil

É inegável que o agronegócio tem sido a principal alavanca de crescimento e desenvolvimento do Brasil, com sucessivos recordes de produtividade, desempenho e excelência. A produção agrícola e pecuária, em conjunto, superou inúmeras dificuldades e entraves, consolidando-se como um modelo de sucesso global. Esse êxito gerou empregos, renda e desenvolvimento em diversas regiões do país, com um crescimento econômico acentuado nas últimas duas décadas.

 

Paralelamente, a contribuição do Banco do Brasil para o desenvolvimento da produção rural é inquestionável. Sua história centenária, solidez e seriedade na condução do financiamento e dos negócios com os produtores rurais são marcos importantes. Diante desse cenário de prosperidade e parceria, o que levou o Banco do Brasil a anunciar uma situação tão crítica envolvendo o AGRO em 2025?

A Venda Excessiva de Produtos: um Fator Agravante

Não pretendemos esgotar todos os fatores que determinaram esse resultado, nem generalizar as situações de concessão de crédito. Nosso objetivo é abordar um dos temas que podem ter precipitado o impacto negativo do financiamento rural nos resultados do banco: a venda excessiva de produtos bancários no momento da concessão do crédito. Este assunto tem sido amplamente discutido nas redes sociais, e diversas entidades de produtores estão engajadas no debate, considerando o prejuízo relevante gerado para o setor e para o próprio banco – veja os últimos resultados divulgados.

Em nosso escritório de assessoria jurídica, atendemos um produtor rural que, em nossa avaliação, foi prejudicado pela venda de produtos – especificamente, mais de 30 cartas de consórcios de veículos – no mês da concessão do crédito. Nesse caso, o excesso de produtos oferecidos ao produtor foi determinante para a inadimplência e o início de uma espiral de descontrole financeiro. Outros produtos, como capitalização e seguros, também impactaram o produtor, dificultando o pagamento do empréstimo principal.

É compreensível que, diante da necessidade de crédito o produtor rural se sinta compelido a adquirir o produto ou serviço que lhe é oferecido. No entanto, em alguns casos, a situação pode ultrapassar o razoável, como no exemplo mencionado, com mais de 30 cartas de consórcio em um único mês para um pequeno produtor.

Nesse caso concreto, foi de fácil constatação que o descontrole e a inadimplência ocorreram devido ao excesso de produtos vendidos no momento da liberação do crédito. As parcelas dos consórcios e outros produtos consumiam uma parte expressiva dos valores creditados (seja pelos empréstimos ou pela produção rural) nas contas bancárias, resultando na falta de recursos para o pagamento das parcelas do empréstimo, que seria a prioridade. Em resumo: uma espiral negativa que se voltou contra a necessidade de pagamento do empréstimo concedido.

Um Alerta para o Banco e para o Produtor

Embora o erro nesse caso possa ser considerado isolado, se não o for, deve servir de alerta para uma melhor avaliação, tanto por parte do banco quanto do produtor: a prioridade deve ser o incentivo ao pagamento dos empréstimos. O resultado dessa prática está evidente.

Em nosso caso específico, promovemos as ações judiciais adequadas para tentar reequilibrar a balança e corrigir a situação em favor de nossos clientes. O trabalho agora busca recompor a dignidade e a capacidade desses produtores para continuarem produzindo.

Rumo a uma Relação Mais Educativa e Equilibrada

Esperamos que o presente artigo contribua para os próximos meses e anos, tanto para os produtores quanto para o Banco do Brasil e outras respeitadas instituições financeiras. Torcemos para que a relação com o agronegócio brasileiro seja cada vez mais educativa e equilibrada. A orientação sobre a utilização responsável do crédito pode ser promovida pelos bancos, além de viabilizar o pagamento de dívidas, é uma medida colaborativa e que contribui para evitar o endividamento sem controle.

O produtor deve sempre tentar a negociação prévia, a busca da melhor proposta e por último a busca por ferramentas disponíveis para corrigir eventuais equívocos e recompor sua situação financeira junto aos financiadores. Consultar sempre um especialista na área ou um advogado é fundamental.

Desejamos sucesso e saúde a todos os produtores!

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