ARMAZÉNS TAMBÉM ESTÃO PREOCUPADOS
E a preocupação não para nos produtores. Os armazéns também estão tendo que revisar suas estratégias e seu planejamento diante do atual cenário.
"Com esse problema de muita chuva, muita umidade, muito avariado, perde-se muito da produtividade. Realmente seria uma super safra se estivéssemos com um tempo bacana. Para nós do armazém é complicado, porque quando a empresa quiser embarcar aqui, ela vai querer soja com 8 (8% de avariado). A gente torce para que o restante da safra venha soja padrão, pra podermos ajudar todo mundo, tanto o produtor - na média dele, no ganho - quanto para o armazém, para sairmos com essa soja que a gente recebeu durante esses dias", explica Walter José de Paula, gerente do Armazém Espaço Grão.
DA EXPORTAÇÃO PARA O ESMAGAMENTO
Do armazém em diante, como detalhou De Paula, a situação também se agrava, já que a originação fica comprometida e a oportunidade de negócios cada vez mais limitada pelo produtor. "Para a exportação começa a inviabilizar porque não se tem qualidade, já que nos portos do Arco Norte, por exemplo, não se consegue segregar, eles são bem restritivos. A parte de hidrovias é bem restritiva com índice de avariado permitido. E os descontos variam de trading para trading e são progressivos, o que acaba inviabilizando também o embarque para exportação, impactando, principalmente, na margem do produtor", detalha o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal.
A necessidade, por exemplo, de um redirecionamento da soja que iria para exportação para o esmagamento, a conta logística pode ser cara, onerar ainda mais todas as partes da cadeia, e o produtor chegar a perder os níveis de paridade de exportação, que hoje são mais atrativos do que a demanda interna, em algumas localidades. E na operação do esmagamento, caso os originadores absorvam este produto para compor seus blends, terão ainda que ampliar seus custos com a garantia que os produtos finais - farelo e óleo - alcancem também os padrões requeridos pelo mercado, como as corretas coloração do farelo e acidez do óleo.
PREÇOS CHEGARAM AO FUNDO DO POÇO?
Mais uma vez, um cenário como este, causa reações em cadeia, que é o que menos o produtor brasileiro de soja precisa agora, em que os preços seguem pressionados e sem espaço para uma retomada. Para o analista de mercado Rafael Silveira, da Safras & Mercado, as cotações da oleaginosa ainda não alcançaram o fundo do poço no mercado brasileiro.
"Temos uma situação de pouca soja nova comercializada, então, querendo ou não, essa soja começa a bater no mercado. Temos oferta e os preços da soja estão abaixo dos R$ 100,00 hoje, essa já é uma realidade no Mato Grosso, e isso não traz uma margem interessante para o produtor, dá até margens negativas em alguns casos", detalha o especialista em entrevista ao Notícias Agrícolas. E os próximos dois meses ainda serão de pressão sobre os indicativos, reafirma Silveira. "Eu não espero grandes altas expressivas. Se fossemos olhar para um cenário, eu diria que não chegamos ainda a um fundo de preço da soja no ano, podendo ter preços um pouco mais negativos nos próximos meses. O que vai determinar isso são os fluxos e o fluxo da logística também que, neste momento, segue bem complicada".
E embora esta realidade das perdas por qualidade e característica da soja que está sendo sendo colhida tira duramente das margens do sojicultor, a mesma não é forte o bastante para mudar o quadro de oferta e, tampouco, dos preços.
IMEA ELEVA PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE DA SOJA
Nesta semana, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) elevou sua projeção para a safra de soja do estado para 50,52 milhões de toneladas, com uma produtividade média estimada de 64,73 sacas por hectare, 7,06% maior do que o número trazido em dezembro de 2025. Em seu relatório semanal de mercado, apontou ainda que a colheita da soja 2025/26 chegou a 24,97 da área estimada para o ciclo, avançando significativamente.
"Apesar das chuvas pontuais ao longo do período, a retirada da oleaginosa das lavouras no estado segue em ritmo acelerado, com avanço de 12,77 p.p. frente à safra 24/25 e 12,40 p.p. acima da média dos últimos cinco anos. Esse cenário é pautado pelas janelas de tempo mais firme e maior presença de sol em algumas localidades do estado, o que permitiu o avanço das máquinas nas áreas prontas", informam os especialistas do Imea.
MAIS CHUVAS PARA O MATO GROSSO
E as previsões não apontam para uma tréguas das chuvas no Brasil Central, em especial Mato Grosso e Goiás, nestes primeiros 10 dias de fevereiro, pelo menos. Os mapas ainda trazem acumulados intensos, com frequência e constância das chuvas, em especial na região norte do estado. "Para a próxima semana, as projeções do NOAA indicam acumulados entre 65 mm e 75 mm na maior parte do estado, o que, se confirmado, pode limitar o avanço da colheita em algumas regiões", complementa o Imea.
E os principais institutos de meteorologia aqui no Brasil também têm trazido, em destaque, esse excesso de chuvas que o estado tende a continuar recebendo.
Nesta semana a chuvas fortes e duradouras que devem atingir áreas produtoras do Sudeste e do Centro-Oeste vão fazer paralisações nas atividades de colheita da soja e podem prejudicar a qualidade dos grãos nas lavouras em fase final de desenvolvimento", informou a Climatempo. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) também mantém alertas de chuvas fortes para o estado. Nesta semana, chuvas fortes e duradouras que devem atingir áreas produtoras do Sudeste e do Centro-Oeste vão fazer paralisações nas atividades de colheita da soja e podem prejudicar a qualidade dos grãos nas lavouras em fase final de desenvolvimento.