O preço do cacau despencou 65% em menos de dois anos, levando produtores brasileiros, especialmente da Bahia, a pressionarem o governo federal para suspender as importações do produto. A queda, iniciada após um pico em abril de 2024, ameaça a sustentabilidade do setor cacaueiro no país, com relatos de produtores abandonando lavouras. A notícia, publicada originalmente em 25 de outubro de 2024, destaca a urgência de medidas para proteger a competitividade local.
Queda acentuada nos preços internacionais
A recuperação da produção de cacau na África, particularmente em Costa do Marfim e Gana, impulsionada por chuvas favoráveis, contribuiu para a desvalorização global. No Brasil, os preços caíram drasticamente desde o pico registrado em abril de 2024, agravados pela entrada de importações baratas. Dados de produção de 2023 e importações crescentes até setembro de 2024 ilustram o impacto no mercado nacional.
Pressão dos produtores da Bahia
Produtores de cacau da Bahia, concentrados em regiões como Ilhéus, estão no centro da crise. A Associação dos Produtores de Cacau da Bahia (Aprocau), liderada por Eduardo Bastos, tem se reunido com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) para demandar tarifas ou cotas sobre importações. Indústrias como Nestlé e Mondelez também acompanham o debate, afetadas pela volatilidade dos preços.
Impactos na lavoura cacaueira brasileira
A desvalorização ameaça a viabilidade econômica das lavouras, com produtores migrando para culturas alternativas como café ou soja. Os altos custos de produção no Brasil contrastam com as importações africanas, acusadas de praticar preços de dumping. Isso compromete padrões de sustentabilidade e qualidade exigidos localmente, segundo representantes do setor.
Razões para a crise no setor
A principal causa da queda é a recuperação produtiva na África, aliada às importações baratas que inundam o mercado brasileiro. Produtores locais enfrentam desvantagens competitivas, sem os mesmos incentivos ou condições climáticas favoráveis. O setor busca igualdade de condições, sem pedir subsídios, mas sim barreiras para equilibrar o comércio.
Declarações de lideranças e produtores
Estamos vendo uma desvalorização que ameaça a sustentabilidade do setor.
Essa declaração de Eduardo Bastos, presidente da Aprocau, reflete o descontentamento geral. Ele ainda acrescentou:
Muitos produtores estão abandonando as lavouras ou migrando para outras culturas, como o café ou a soja.
As importações, principalmente da África, estão entrando no país a preços dumping, destruindo a competitividade dos produtores locais.
A Aprocau enfatiza a necessidade de padrões equivalentes:
Não estamos pedindo subsídios, mas sim igualdade de condições. O cacau importado chega aqui sem os mesmos padrões de sustentabilidade e qualidade que exigimos dos nossos produtores.
Investi tudo na lavoura, mas com esses preços, mal consigo pagar as contas. Se nada mudar, vou ter que vender a terra.
O depoimento do produtor João Silva ilustra o drama pessoal enfrentado por muitos no setor cacaueiro da Bahia.