Entidades agropecuárias do Rio Grande do Sul alertaram para o risco de desabastecimento de diesel devido à greve na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, o que poderia comprometer a colheita de soja e o plantio de trigo. No entanto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) negou problemas no abastecimento, citando importações e estoques suficientes. A greve, iniciada em 1º de fevereiro de 2026, é liderada por petroleiros do Sindipetro-RS contra a privatização de ativos da Petrobras e por melhores condições de trabalho.
Alerta das entidades do agro
As Federações das Associações Rurais do Rio Grande do Sul (Farsul), dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e das Cooperativas Agropecuárias (FecoAgro/RS) emitiram uma nota conjunta sobre a possível escassez de diesel. Elas destacam que a redução na produção da Refap pela greve afeta diretamente o setor agrícola. Agricultores relatam dificuldades localizadas no acesso ao combustível essencial para máquinas e transporte.
A falta de diesel pode comprometer o escoamento da safra de soja, que está em plena colheita, e o plantio de trigo, que se inicia em breve. — Farsul, Fetag-RS e FecoAgro/RS
Posição da ANP e monitoramento
A ANP afirmou que está monitorando de perto a situação na Refap e atuando para mitigar impactos. Segundo a agência, o abastecimento permanece normalizado graças a importações e estoques adequados. Não há indícios de desabastecimento generalizado no Rio Grande do Sul até o momento.
A ANP está acompanhando de perto a greve na Refap e tem atuado para mitigar eventuais impactos. Até o momento, o abastecimento está normalizado, com importações e estoques suficientes para suprir a demanda. — ANP
Impactos na agricultura gaúcha
A colheita de soja da safra 2023/2024 está em pleno andamento no estado, e o plantio de trigo deve começar em breve. Produtores expressam preocupação com a dependência do diesel para operações agrícolas e logísticas. Em regiões como Passo Fundo, relatos indicam desafios pontuais no suprimento.
Estamos preocupados porque o diesel é essencial para as máquinas agrícolas e os caminhões que transportam a produção. — Produtor de Passo Fundo (RS)
Motivações da greve e perspectivas
A paralisação na Refap é motivada por oposições à privatização de ativos da Petrobras e demandas por melhores condições de trabalho, segundo o Sindipetro-RS. A redução na produção de diesel afeta principalmente o Rio Grande do Sul, principal polo agrícola impactado. Enquanto entidades do agro pedem soluções urgentes, a Petrobras não se pronunciou diretamente sobre o alerta.
Contexto econômico e regional
O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de soja e trigo no Brasil, tornando qualquer interrupção no abastecimento de diesel uma ameaça significativa à economia local. A greve destaca tensões entre o setor energético e o agropecuário. Autoridades continuam a monitorar para evitar maiores prejuízos à safra atual.