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Brasil realiza primeira exportação de DDG para China com produção em alta de 19%
Por Toninho Gaúcho
Publicado em 19/03/2026 11:30
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Apesar de uma retração de 1,9% na produção de milho para a safra 2025/2026, a produção de DDG no Brasil registra um crescimento de cerca de 19%, impulsionado por ganhos de eficiência industrial. Essa expansão culminou na primeira exportação do produto brasileiro para a China, realizada neste mês de março de 2026. Entidades como a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destacam o amadurecimento do setor de etanol de milho como fator chave para essa conquista.

Crescimento da produção de DDG

A safra 2025/2026 prevê uma leve queda na produção de milho, mas o setor compensa isso com avanços na eficiência das usinas de etanol de milho. Esses ganhos permitem uma maior rentabilização de coprodutos como o DDG, utilizado na nutrição animal. Projeções indicam que o crescimento de 19% na produção de DDG reflete o excedente produtivo, mesmo em um cenário de retração agrícola.

Primeira exportação para a China

A exportação inaugural de DDG brasileiro para a China ocorreu em março de 2026, marcando um marco para o setor. O produto partiu de usinas em Rondonópolis e Primavera do Leste, no Mato Grosso, e seguiu para o Porto de Santos. Essa operação abre portas para mercados asiáticos, incluindo Vietnã e Indonésia, ampliando as oportunidades comerciais.

O mercado de DDG amadureceu à medida que as indústrias buscaram rentabilizar cada etapa do processo, transformando o que antes era um excedente sem destino claro em um produto de alto valor para a nutrição animal. — Daniel Salcedo, diretor comercial da Brado Logística

Logística multimodal eficiente

O transporte do DDG envolve um modelo multimodal, com ferrovia de Rondonópolis a Cubatão e rodovia até o Porto de Santos. A conteinerização garante integridade da carga e reduz riscos durante o trajeto. Empresas como Brado Logística e FS destacam a importância dessa abordagem para exportações de longa distância.

A conteinerização é um elemento central dessa operação, pois garante maior integridade à carga e mais controle ao longo de todo o trajeto. Além de reduzir a exposição a avarias e riscos, esse modelo aumenta a segurança e a confiabilidade da logística, aspectos fundamentais em fluxos de exportação de longa distância. — Ronney Maniçoba, gerente comercial da Brado

Fatores impulsionadores do setor

O avanço na eficiência industrial e o amadurecimento do setor de etanol de milho explicam o excedente de DDG. Na safra anterior, a escassez de milho elevou preços, mas a retomada produtiva gerou sobras para exportação. Especialistas apontam a estratégia de escoamento internacional como natural para equilibrar o mercado.

Na safra 24/25, a escassez de milho no mercado impulsionou uma forte alta nos preços. Paralelo a isso, o intenso movimento de compra por parte das usinas e do setor industrial reduziu significativamente o excedente disponível para exportação. Com a retomada na produção do produto e a consequente recorrência na fabricação de etanol e DDG, houve um excedente no mercado nas próximas safras, tornando a estratégia de exportação o caminho natural para o escoamento. — Ronney Maniçoba, gerente comercial da Brado

Perspectivas para o mercado asiático

A China, terceiro maior produtor de carne do mundo, representa um mercado valioso, embora com normas rígidas de importação. O produto brasileiro precisa conquistar espaço gradualmente nesse cenário. Projeções para 2026 indicam expansão contínua, sustentada por eficiência e abertura de novos mercados.

A China tem um grande valor para exportação no Brasil, principalmente porque é o terceiro maior produtor de carne do mundo. Contudo, o país tem algumas normas mais rígidas de importação, então é um mercado no qual o produto brasileiro precisa conquistar espaço gradualmente. — Daniel Salcedo

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